terça-feira, 6 de julho de 2010

Aqueduto do Telles



Desbravando as sesmarias de Jacarepaguá


As serras foram barreiras naturais no desbravamento do velho oeste carioca. Ao mesmo tempo que exótica e pitoresca, Jacarepaguá permeia-se geograficamente entre o mar e as montanhas. Desde os tempos primitivos do período pré-Cabraliano, ás batalhas indigenas no vale do Marangá ,ou piratas e corçários franceses em Jacarepaguá.Nosso bairro sempre conservou o grande bioma verde que temos. A mata atlântica sempre aguçou a curiosidade e o interesse de incontáveis viajantes e homens comuns, grandes desbravadores na busca por pau- Brasil, ou posteriormente na caça ás gemas preciosas e ouro. Tesouros e lendas resguardados em um dos bairros mais antigos do Rio de Janeiro , verdadeiras relíquias peças que compõem um importante quebra-cabeça que, com pesquisas sérias, forma um tênue mosaico do tempo que não conhecemos mais, um Rio Colonial apagado pela erosão e descuido de autoridades sem compromisso com nossa memória cultural. Um povo sem memória é um povo sem história.

E é sobre este mosaico escondido que lançamos luz. Por quase 300 anos, escondido dentro da floresta, um tesouro arqueológico soterrado por pedras e galhos, no Parque Estadual da Pedra Branca na Colônia Juliano Moreira: Um aqueduto coberto por lama e erosão, uma obra setecentista. Um perfeito complexo aqüífero, semelhante aos arcos da carioca, na lapa tão conhecido cartão postal no centro da cidade, e tem relação estreita com a história de Jacarepaguá. Segundo o relatório do Iphan, o Aqueduto vulgarmente chamado “ Arcos dos Psicopatas”, é uma relíquia arquitetônica colonial do século XVIII. A diferença entre os dois aquedutos é que nos Arcos da Carioca não houve a preservação das redes coletoras de captação de água. Em nosso bairro, a Floresta propiciou a preservação das canaletas coletoras. A obra foi realizada pelo brigadeiro Alpoim. Após o termino do aqueduto da carioca abalizado pelo Vice-Rei Conde de Bobadela(Gomes Freire de Andrade) em 1750  foi inaugurado.O então juiz de Órfão, Dr. Antonio Telles  Menezes, contratou o arquiteto para execução do aqueduto do Engenho Novo ( Atual Colônia Juliano Moreira) os reparo na casa dos Telles de Menezes, no centro do Rio foi em 1745 o velho ARCO do TELES resiste até nossos dias,joia da arquitetura colonial.Além da remodelação do Solar da familía antiga sede do antigo ENGENHO da Taquara. Ao observamos a grandiosidade dos Arcos,de volta plena com 56 metros lineares e 10 metros de altura, que é o termino do canal coletor, ou seja, a parte de ligação das canaletas de argamassa de areia, pedra, cal, e óleo de baleia.Vimos o esforço hercúleo que foi necessário, para execução dessa grandiosa obra, tendo sido precisa recorreu os outros engenhos ( Engenho da Taquara e de fora), visto que o serviço foi feito por escravos ou negros de ganho. Apenas o trecho final do aqueduto, ou seja, 7 arcos de um total de 9 foram tombados pelo IPHAN, em 1958.A jazida arqueológica do aqueduto foi registrada em1962 no cadastro Nacional de Sítio Arqueológico (CNSA) do IPHAN ou seja 100anos depois do lançamento da pedra fundamental da reedificação da capela de estilo neo-classico tardio imortalizada na pintura de Emilio Bauch ,e mantenedora da obra (AMI) e o projeto arquitetônico é de Theodoro Marx.E hoje,esta descaracterizada completamente.Podemos observar este conjunto arquitetônico em Jacarepaguá, essas joias setecentista e oitocentista incrustada na maior floresta urbana do Brasil.Parque Estadual da Pedra Branca!É JPA!

Marcos André D.C.N. De Azevedo - Historiógrafo: Pesquisador do NOPH.-JPA e RJ ( Núcleo de Orientação e Pesquisa de Jacarepaguá e Rio de Janeiro)

                                                    Tela á Óleo de Emilio Bauch (1862). Acervo do Museu Imperial (Lançamento da Pedra Fundamental da antiga Ermida, Aqueduto,e ao fundo a floresta Parque Estadual da Pedra Branca) Com a mão sob a pedra, o comendador Cosme dos Reis


Arquivo NOPH  Sec. XIX
                                     











Arquivo
NOPH 01/03/2010
Reportagem feita pelo historiador em  15/05/2010, publicado pelo jornal Jacarepaguá em Destaque,Jornal Comunitario-n:° 150 | Pagina: 4
visita ao local com a equipe do NOPH-JPA e alunos da Unesa como trabalho de hora campo ao termino da graduação.Nas ruinas do velho aqueduto,sob os arcos de verga plena.A nossa maior joia setecentista.
A equipe do S.O.S Floresta limpando as canaletas em 1986.





Visita as canaletas no dia 04/02/2000 com a equipe do IPHAN.


 O descobridor das canaletas no sitio arqueológico Colonia Juliano Moreira ( O Guardião da Floresta Parque Estadual da Pedra Branca).


3 comentários:

  1. Oi, entra em contato comigo. Também sou historiadora e minha pesquisa é sobre os engenhos do Camorim e da Taquara. Há alguns anos desenvolvo esta pesquisa e temos também um grupo de estudos sobre a Baixada de Jacarepaguá desde 2007.
    Att.,
    Heluana Macêdo

    ResponderExcluir
  2. Oi, bom os indícios me levam a crer que esse monumento pertence ao antigo engenho da Taquara, anteriormente conhecido (essa parte) como engenho de Nossa Senhora dos Remédios. O que seria o NOPH? nunca ouvi falar...Mas que bom que vocês entraram em contato, gostaria de conhecer o trabalho.
    Atenciosamente,
    Heluana Macêdo

    ResponderExcluir
  3. Parabéns, só um reparo. Na tela de Bausch, vê-se o Comendador Cosme dos Reis com a mão SOBRE a pedra e não "sob" como diz o texto. Et pour cause!

    ResponderExcluir